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Como gerir jovens e seniores sem dor

SÉRVULO IN THE PRESS 13 Mar 2026 in Expresso

Paulo Câmara e Rita Canas da Silva analisam o planeamento da longevidade, em grande entrevista ao Jornal Expresso. A longevidade está a transformar o mercado de trabalho, exigindo repensar modelos de organização empresarial, recrutamento e gestão intergeracional.

Os advogados, responsáveis pelo novo serviço da SÉRVULO, destacam que estarão em vantagem as empresas que começarem a desenhar planos intergeracionais. "É preciso sensibilizar o decisor político de que é urgente espelhar as novas dinâmicas na legislação", afirma Paulo Câmara. Já Rita Canas da Silva sublinha que “a longevidade não tem sido bem planeada” e que os riscos associados à discriminação etária tenderão a aumentar.

Há iliteracia financeira, empresarial e jurídica

A conclusão de que "a longevidade não tem sido bem planeada, porque nos deparamos com alterações demográficas que não estamos a sinalizar (sociedade e empresas)", é problemática. "Ninguém está a fazer nada" nesse sentido, afirma Rita Canas da Silva ao Expresso. Quando questionado sobre o que têm as empresas de fazer para lidar com esta questão, Paulo Câmara aponta para "a iliteracia financeira, empresarial mas também jurídica", e adianta que "uma das funções do direito é alertar o legislador que é preciso colmatar este défice". O advogado de direito financeiro, go-vernance e sustentabilidade (ESG) afirma que não se trata já "só uma questão laborai mas de governação empresarial".

A sucessão dos líderes das empresas é uma questão, como são temas assegurar o seguro de saúde quando o trabalhador vai para a reforma, ou mesmo o planeamento de complementos fiscalmente concebidos pelas empresas, o que abre um perímetro de responsabilidade grande por parte das empresas e da sua governação, sublinha Paulo Câmara. A SÉRVULO está a desenvolver o conceito de due diligence de longevidade, que será apresentado numa conferência no dia 17 de março e que se destina a saber qual o grau de preparação das empresas para o planeamento da longevidade em termos organizativos. O evento vai contar com Céline Abecassis-Moedas, pró-reitora de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Católica Portuguesa que lidera o novo centro de investigação dedicado à economia da longevidade.

Esta responsável afirmou em janeiro ao Expresso que são poucas as empresas que contratam pessoas com mais de 55 anos, mas vai ser preciso fazê-lo, porque teremos cada vez menos jovens. Qual a importância de um planeamento que consiga gerir as idades dos trabalhadores numa empresa, e de que idades estamos a falar é o ponto de partida para a mudança e para uma organização laboral mais inclusiva no plano do conhecimento, experiência e articulação intergeracional. Um dos temas que será abordado diz respeito à hipoteca invertida, que permite ao idoso alienar a sua casa para ter um rendimento mensal suficiente para fazer face às suas despesas quando a reforma não chega.

Lei é insuficiente e desatualizada

Pegando na hipoteca invertida, Paulo Câmara sublinha que "não existe nenhum regime de proteção quanto à avaliação do imóvel, à prevenção e fiscalização para evitar abusos, nesta fase de maior debilidade financeira e maior vulnerabilidade à custa do património que conseguiram reunir durante a sua vida de trabalho". Melhorar este enquadramento, prossegue, seria "mais eficaz do que avançar com o estatuto do idoso, que acaba de sair, que nada acrescenta à atual dinâmica demográfica". Por isso, diz também, "iremos apresentar uma proposta pública sobre a melhoria e o aperfeiçoamento do sistema jurídico relacionado com a longevidade". Os advogados não escondem o facto de serem prestadores de serviço, mas consideram urgente "melhorar a envolvente normativa do direito como ferramenta de mudança".

Outros exemplos existem. "A Autoridade para as Condições de Trabalho está com uma campanha de combate à discriminação social em função do sexo, e muito bem, é legitimo, mas a idade não é um tema que esteja na agenda", afirma Rita Canas da Silva. E alerta: "quando passar a estar, vai ser um tema difícil de endereçar", por ser tarde demais. Por outro lado, a "legislação é claramente insuficiente e está desatualizada", sublinha a sócia de direito laboral da Sérvulo. Outro exemplo consta dos anúncios onde se diz que só aceitam candidaturas de pessoas até aos 35 anos, "algumas situações justificam-se, o direito identifica essas situações diferenciadas, mas na maioria dos casos não é admissível".

Quando questionada sobre o que é a discriminação em função da idade, não hesita em dizer que "existe", está "enquadrada juridicamente, mas há hoje uma maior tolerância em aceitar tratamentos discriminatórios em função da idade, por comparação com tratamentos discriminatórios ou fatores suspeitos, como por exemplo o sexo ou a etnia". Uma discriminação que existe relativamente aos mais velhos mas também aos mais jovens. "A idade tornou-se mais vulnerável como critério de discriminação", porque "estamos a falar de todas as idades, dos 30, dos 40, dos 50, 60 e 70". E conclui: "O que é preciso alcançar é o equilíbrio intergeracional."

E, depois, como refere a dupla de responsáveis da SÉRVULO, há que pensar a longevidade em todas as dimensões e atualizar a legislação em vários domínios como configurar a assistência a ascendentes (dando tempo aos filhos para o fazerem) e prolongar com incentivos a retenção dos mais velhos, entre outras situações para as quais o poder político deve estar atento. Na SÉRVULO o caminho da mudança já começou. "Queremos ser coerentes", diz Paulo Câmara referindo que na sociedade de advogados "há uma clara identificação de quem ocupa posições absolutamente estratégicas" para promover a partilha de conhecimento com os mais jovens. Existem políticas internas para responder às necessidades específicas dos advogados nos vários momentos das suas carreiras, como por exemplo permitindo uma gestão mais flexível do tempo de trabalho de forma a manter as pessoas motivadas.

Leia a entrevista de Paulo Câmara e Rita Canas da Silva ao Expresso.

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