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“Portugal e Espanha são uma alternativa previsível perante a incerteza política e regulatória nos EUA”. Entrevista a Pedro Silveira Borges

SÉRVULO IN THE PRESS 12 Jan 2026 in Expresso

A crescente incerteza política e regulatória nos EUA está a redesenhar o investimento no sector da energia e a confiança dos investidores. Em entrevista ao Expresso, Pedro Silveira Borges, sócio responsável pela área de M&A da SÉRVULO, realça que o “momento em que a Europa — particularmente a Península Ibérica — se pode posicionar como uma alternativa previsível, desde que consiga superar a excessiva burocracia regulatória”.

O Governo de Donald Trump determinou em dezembro a suspensão imediata, por 90 dias, das licenças atribuídas a cinco grandes parques eólicos offshore na costa leste dos Estados Unidos, alegando “preocupações com a segurança nacional” Estamos a viver um período com um grau de incerteza muito relevante, que acaba por ter impacto nos negócios de fusões e aquisições, também no setor da energia" , alerta o advogado.

Quais são as implicações para as empresas europeias se os projetos eólicos offshore não avançarem nos EUA?

O caso da Orsted, da Equinor e restantes promotores é absolutamente paradigmático. São projetos que já estavam , efetivamente, com o licenciamento concluído e em construção E de repente veem o projeto interrompido e o impacto financeiro que isso acaba por ter. Esse tipo de incerteza que é mais do que uma incerteza financeira, e diz respeito à própria conclusão do negócio cria muitos entraves e dúvidas sobre se , de facto, o investimento poderá vir a acontecer. É muito difícil antecipar se, da noite para o dia, os projetos vão ficar pelo caminho sem que seja explicado o que fundamentou essa decisão. As empresas que venham a sofrer este impacto recorrerão ao sistema judicial norte-americano e possivelmente até terão ganho de causa. Mas acredito que existirá alguma proteção ao investimento.

De que forma a instabilidade política nos EUA e no mundo afeta os projetos de energia limpa?

Estamos a viver um período com um grau de incerteza muito relevante, que acaba por ter impacto nos negócios de fusões e aquisições, também no sector da energia. O contexto político nos Estados Unidos tem criado muitíssima instabilidade nos principais agentes de mercado , que precisam de visibilidade sobre como avaliar os ativos para depois concluir as transações. Ainda assim, registámos um crescimento muito significativo de 30% nas fusões e aquisições . Nas transações, houve um abrandamento em número , mas um aumento no valor das mesmas, porque os investidores são muito mais seletivos e procuram ativos que de facto consigam ter uma visibilidade correta da sua valorização.

Como caracteriza 2025 e o que espera para 2026?

A instabilidade política registada no último ano foi mais acentuada do que em qualquer período recente à exceção da crise da dívida soberana. 2025 foi um período bastante difícil do ponto de vista de intenções de investimento. Apesar de tudo, e contrariamente ao que vimos na crise financeira, nós não vemos restrições de liquidez dos agentes económicos para 2026. Estão à procura de projetos para poder em investir. E Portugal e Espanha são exemplo disso. Existe propensão dos investidores para procurarem estas geografias por entenderem que há aqui desenvolvimentos que podem ser feitos, nos data centers por exemplo. Face aos EUA, a Europa dá segurança adicional aos investidores , mesmo com a complexidade da burocracia e os atrasos nos licenciamentos. Nos Estados Unidos passou a ser fácil investir, com o Inflation Reduction Act (IRA), mas ao mesmo tempo mais inseguro. E além da Europa competir com os Estados Unidos pelos investimentos, os próprios países da União Europeia depois competem entre si.

Leia a notícia na integra em Expresso.

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